Sentido no trabalho: corra atrás do seu!

Posted By on fev 20, 2016 | 0 comments


Um dos grandes desafios da vida adulta é encontrar equilíbrio entre o trabalho, a vida pessoal e o seu crescimento enquanto ser humano.

Neste texto, vamos falar sobre a busca de Peter Drucker pelo entendimento do que move o ser humano no ambiente de trabalho, um estudo feito pela Courland International, parceira da Hunter, e sobre como encontrar o seu objetivo de vida profissional.

Peter Drucker, escritor e professor austríaco, é considerado o pai da Administração Moderna, estudando e escrevendo inúmeros livros e artigos sobre as mais diversas problemáticas do universo da gestão de empresas, tais quais o processo de globalização, gestão em épocas de crise, o surgimento de novas tecnologias e assim por diante. Em meados da década de 90, já tendo trabalhado em mais 20 livros e abordado os mais inusitados assuntos, Drucker decidiu tentar entender o que move o ser humano. Mais precisamente, o que move o ser humano profissionalmente.

Por que trabalhar? Qual o sentido que as pessoas viam no seu ofício? Isso era importante para elas? Qual o grau de importância?

Em sua pesquisa, que começou, coincidentemente, durante o nascimento dos jovens da tão famigerada Geração Y, encontrou algumas respostas: as pessoas procuram, sim, sentido no que fazem. É comum que muitos trabalhem com algo que não acreditem ou simplesmente não veem sentido no que fazem — principalmente aqueles profissionais que encontram-se acuados, que precisam de dinheiro para pagar as contas e aceitam um trabalho para suprir as necessidades de sobrevivência.

Entretanto, Drucker afirma que, enquanto estiverem atuando em atividades que não conseguem fazer correlações com seus ideais de vida, nunca terão desempenho pleno. Podem até ser bons, mas seriam muito mais produtivos e teriam melhor qualidade de vida se estivessem conectados emocionalmente com suas entregas. Para esses com um desempenho protocolar no trabalho, a busca por trabalhos voluntários que saciem as necessidades de se fazer importante no mundo é uma boa saída para evitar a infelicidade.

É interessante perceber a correlação entre a época em que a pesquisa começou e o perfil das pessoas que estavam nascendo nesta época. Possivelmente, se tivesse sido realizada antes de meados da década de 70, o resultado fosse diferente. Isso pois uma das características mais fortes da Geração Y, nascida entre o meio de 1970 e o final da década de 90, é essa busca incessante por sentido de vida.

Estes jovens querem fazer a diferença, querem que a sua passagem pela terra seja significativa e gerem resultados para as próximas gerações, tendo uma caminhada leve, alegre e significativa para si mesmo. “Por que trabalhar, se não é algo que me faça feliz?” ou “por que trabalhar na empresa X, que tem histórico de trabalho escravo e de contaminação do meio ambiente?” são questionamentos característicos destes jovens adultos. Um trabalho sem sentido pode ser visto como perda de tempo para eles.

Como as empresas podem ajudar?

fonte: Google images.

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Neste ponto, é muito importante que as empresas criem ambientes e oportunidades que estimulem o investimento do profissional na sua carreira, na fortificação do laço trabalho-trabalhador.

Uma pesquisa, em 2010, com mais de 5.000 entrevistados no mundo inteiro, da Courland International, empresa parceira da Hunter e especializada em Executive Search para o setor automotivo, buscou entender quais são os principais motivos para atração e retenção de colaboradores. A conclusão:

  1. Força da liderança.
  2. Saúde financeira e imagem.
  3. Potencial de desenvolvimento de carreira.
  4. Qualidade no ambiente de trabalho.
  5. Pacote de remuneração.

Os 5 pilares, que seguem uma ordem de importância, sendo o primeiro mais importante e o quinto, o menos, seguem uma linha de raciocínio mais ou menos parecida. É possível perceber, só pelos nomes que os pilares foram rotulados, que o bom relacionamento com pontos de contato (principalmente com a liderança) e o desenvolvimento profissional são fatores mais importantes que a própria remuneração, que o colaborador não busca algo que simplesmente o satisfaça financeiramente, mas que também o auxilie no seu desenvolvimento futuro e que traga bons frutos de networking.

“Desenvolver uma carreira não tem a ver necessariamente com a possibilidade do executivo de galgar posições dentro da companhia. É muito mais do que isso. Esse pilar diz respeito a quanto você pode agregar ao seu desenvolvimento pessoal no período em que você está atuando naquela companhia”, comenta Ana Paula Zacharias, CEO da Hunter.

Muitos dos jovens adultos da Geração Y — que hoje estão na faixa dos 20 aos 35 anos, mais ou menos — já estão assumindo cargos de liderança nas multinacionais, e é possível, pois, fazer uma relação entre as características exigidas pelo mercado e os desejos profissionais e pessoais dos millenials — outro nome que também é dado àqueles nascidos neste período.

Assim, muitas companhias tem desenvolvido melhores práticas sociais, ambientais e de gestão de pessoas, para continuar atraindo talentos e manter o nível do seu capital humano. Empresas que tem um nome forte no mercado, que demonstram uma visão mais humanista, mais direcionada para o desenvolvimento planetário como um todo e não somente direcionada ao lucro, preocupada com o meio ambiente e com o entorno no qual está inserida tornam-se fatores decisivos para a escolha do ambiente de trabalho dos novos talentos.

O ouro lado da moeda

Para contrapor esta visão romântica do Carpe Diem implantada por Steve Jobs e muitos outros executivos de sucesso que defendem o “faça o que você ama” lifestyle, algumas pesquisas mostram que o caminho para a felicidade pode ser encontrada no sentido inverso: não é necessário fazer o que se ama, mas sim amar o que se faz.

Em 2010, o então professor de ciência da computação na Universidade de Georgetown, Cal Newport, decidiu buscar justificativas para entender o porque de algumas pessoas amarem os seus trabalhos enquanto outras os odeiam.

A conclusão do estudo é que a construção da trajetória profissional é mais importante que a execução do trabalho em si. Edificar uma carreira sólida, que instigue o colaborador a investir em um “relacionamento” com o seu ofício, assim como muitos o fazem para a construção de relacionamentos amorosos, é a fórmula para este casamento profissional entre trabalho e trabalhador.

“Essa premissa do faça o que você ama é muito sedutora, mas é falsa porque a maioria das pessoas não é programada para amar determinado tipo de trabalho”, diz Cal. (RODRIGUES, A. C. O mito do “Faço o que você ama”. Revista Você S/A. Disponível em: <http://bit.ly/faca-o-que-voce-ama>. Acesso em: 09/11/2015).

São muitos os fatores que influenciam na carreira profissional e a escolha de um trabalho. As pessoas ainda precisam pagar suas contas, investir no seu futuro, dar sustento para suas famílias. Isso pode significar, muitas vezes, ter que aceitar o emprego que aparecer, ou aquele que pagar melhor, ou seja, as vezes não existe muita possibilidade de escolha, deve-se aceitar pelo dinheiro. Mas se o colaborador conseguir construir, dentro do universo que lhe é possível, um planejamento de carreira, de desenvolvimento individual, de metas e, ao alcançá-las, de sucesso, pode-se, pois, construir e fortalecer a relação trabalho-trabalhador, criando a sensação de satisfação, de cumprimento do dever e, então, felicidade.

Em um vídeo do consagrado TEDx (Independent organized TED), que visa “ajudar comunidades, organizações e indivíduos a instigar conversas e conexões através de uma experiência parecida com um evento TED” (tradução nossa), Shawn Achor, um cientista de Harvard, pesquisou sobre a problemática de alunos de Harvard sentirem-se extremamente felizes logo que começavam os estudos na famosa universidade, mas logo após algum tempo já mudavam de opinião.


Vídeo sobre os resultados da pesquisa de Shawn Archor para o evento TEDx, mostram um possível caminho para a felicidade.

Em seus estudos sobre o que ele chama de psicologia positiva, é possível reprogramar nossos cérebros para que consigamos direcioná-lo a ver o lado positivo de todas as situações. Assim, a possibilidade de encontrar a felicidade em todas as ações é aumentada. Se somada ao estudo de Cal Newport, a construção de um caminho profissional sólido e repleto percepções de boas experiências é uma fórmula bem robusta para possuir uma vida profissional feliz e significativa.

Conclusão

fonte: Google images.

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Certamente, ainda não existe uma resposta única para a felicidade na esfera profissional. As pessoas são diferentes, assim como suas experiências, seus desejos e suas possibilidades, além de a sua capacidade de perceber o mundo, o que faz com que cada indivíduo necessite de um ferramental diferente para conseguir não somente sucesso profissional, mas para que seja possível também percebê-lo como tal.

Podemos listar, entretanto, alguns pontos focais que devem ser considerados para que a vida profissional não seja um fardo:

  1. É necessário que se construa um caminho sólido e planejado para a sua ascensão e evolução profissional.
  2. A empresa deve estar alinhada com seus ideais, com sua filosofia de vida. Além disso, deve ser uma empresa alinhada com o conceito de desenvolvimento humanitário, ambiental e social do planeta.
  3. A empresa deve ser capaz de propiciar o desenvolvimento profissional do indivíduo, de acordo com seus objetivos e desejos profissionais.
  4. A liderança, bem como os outros pontos de contato, devem ser inspiradores para o profissional bem como propiciarem e instigarem a sua vontade em realizar da melhor maneira possível suas atividades.
  5. É necessário que o colaborador desenvolva competências que o permitam perceber o mundo de uma maneira mais positiva, direcionando-o para o fortalecimento da relação trabalho-trabalhador.

É necessário que ambas as partes envolvidas num relacionamento profissional (empresa e colaborador) estejam dispostos a batalhar pelo melhor cenário possível em todas as esferas de convivência. A construção e fortalecimento da positividade na percepção de mundo, de ações e de resultados do trabalho ajudam o colaborador a se sentir como peça fundamental na comunidade em que está inserido, o que aumenta sua produtividade e performance profissional. Esse caminho, certamente mais complicado que o “faça o que você ama”, pode ser uma alternativa viável para todos aqueles que não tiveram a sorte de exercer o ofício que sonharam, mas que ainda assim procuram por um sentido na vida profissional.

“As duas coisas mais importantes a lembrar nos negócios são: estar ciente sobre o impacto na ecologia e uma relação atenciosa entre empregador e empregado”. (DALAI-LAMA. Meditações. Compilação de Margaret Gee)

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Rafael Oliveira, 29 anos, é formado em Design pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Já trabalhou como diretor de arte e designer freelancer, mas encontrou sua paixão profissional no marketing & comunicação. Atualmente é gestor do departamento na Hunter Consulting Group e gosta de falar sobre os mais diversos assuntos ligados ao mundo corporativo: desenvolvimento humano, liderança, marketing, empreendedorismo, gestão, mercado e política.

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